SEM SOLUÇÃO: Área do antigo lixão volta a desabar com as chuvas ameaçando moradores e comprometendo Shopping Parque Maceió

Em decorrência da contaminação, a área só deveria ser utilizada após um período de quarenta anos

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Seis anos se passaram desde que o lixão de Maceió foi desativado. Com a construção de um grande shopping e uma avenida, o desenvolvimento imobiliário cresceu na região. Da mesma forma em que se aumenta a venda de terrenos no local, aumenta-se o descuido com uma área que durante anos foi contaminada.

O primeiro sinal de descaso com a localidade aconteceu em setembro do ano passado quando moradores da região denunciaram o mau cheiro provocado por chorume e problemas de saúde na comunidade devido à inalação de gás metano. Em reunião com dirigentes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sempma), a população vizinha pediu a Prefeitura de Maceió que elaborasse um projeto de queima efetiva do gás metano, para evitar que ele se dispersasse na região.

Outra situação que mostra a situação em que se encontra a região foi o desabamento de taludes de contenção que cercam o antigo vazadouro. A própria obra foi interdita pela Sempma, pois o projeto trazia instabilidade para as áreas ao redor do terreno.

Ao contrário, mais terrenos começaram a ser vendidos e placas espalhadas por todos os lados. A professora e especialista em engenharia ambiental da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Nelia Callado, explicou que não existe uma legislação específica para este tipo de situação. “A única proibição é que não pode ocorrer nenhuma construção em cima do terreno onde existia um aterro sanitário ou lixão”, disse.

De acordo com as normas ambientais, qualquer edificação só poderá ser construída após 500 metros do terreno que servia como depósito de lixo. “É importante a população saber que a área em torno do antigo lixão sofre influência dos gases que ainda são emitidos do local”, completou.

A professora lembrou que uma área somente está livre de contaminação após 40 anos ou mais da desativação do depósito. “O shopping e tudo o que estiver ao redor está sujeito a contaminação de detritos que permaneceram no terreno. Eu não compraria um apartamento na região, pois tenho consciência dos males a minha saúde”.

Um recente estudo apontou que o lençol freático também está comprometido e que a devastação da área verde ao redor, piorou a situação. “Recomenda-se que parques ambientais sejam construídos nas mediações destes locais”, lembrou a professora.

Ela ainda alertou que existem casos negativos no país onde a legislação não foi cumprida e a população foi prejudicada. “Um shopping em São Paulo explodiu devido ao acumulo de gases no subsolo onde havia um antigo lixão, além do caso mais famoso no Rio de Janeiro do Morro do Urubu que desabou”.

Nelia lembrou que as construções que estão sendo realizadas e as futuras não devem ser proibidas, mas que todo cuidado deve ser tomado na região. “Durante 40 anos aquela localidade foi poluída diretamente com o lixo produzido pela capital. A degradação foi intensa. E a regeneração ambiental não ocorrerá rapidamente. Também será um longo processo”.

Além dos moradores da Cruz das Almas, Barro Duro e São Jorge, outros poderão ser afetados, como os funcionários do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Um terreno de 10 mil metros quadrados, avaliado em R$ 6 milhões e 800 mil nas proximidades foi comprado pelo Poder, para a construção de sua futura sede. Outros órgãos públicos estão também estão interessados em se mudar para a região.

A Prefeitura de Maceió, através da Superintendência de Limpeza Urbana (SLUM), informou que foram instalados drenos para queimar o gás metano emitido pelos resíduos, além de outra estrutura semelhante para retirar o chorume que ainda é produzido pelo lixo depositado durante os anos de funcionamento. “Estas medidas foram necessárias para reduzir o impacto ambiental na região. Hoje, o chorume é direcionado ao Aterro Sanitário para tratamento e depois é encaminhado ao emissário para descarte”, diz a nota.

Ainda informou que as construções que estão sendo realizadas em áreas vizinhas e, para que fossem liberadas as construções, a construtora responsável pela obra do residencial teve de edificar uma barreira de concreto para que a área do lixão permaneça isolada.

DAVI SALSA – JA Jornal de Arapiraca


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