RJ: bebê morre após não conseguir vaga em hospital

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O bebê Pedro Carolino, que nasceu com problemas cardíacos e estava no Hospital da Mulher, em São João de Meriti, Baixada Fluminense, morreu na madrugada deste domingo (24). O bebê de três meses não conseguiu esperar o surgimento de vaga, que só apareceu quando a criança estava em estado gravíssimo e não podia ser transferida.

O sepultamento acontece na tarde deste domingo no Cemitério Jardim da Saudade, em Mesquita. O pai do menino Pedro, Sérgio Carolino, contesta o atestado de óbito.

— O atestado de óbito informa que meu filho teve sepse (inflamação no organismo causada por uma infecção) e isso é mentira. Todos os exames feitos deram negativo para infecção.

Segundo a família, a criança tinha uma displasia broncopulmonar, quando o coração precisa de mais pressão para bombear o sangue.

O menino estava com pneumonia após voltar para o Hospital da Mulher e teve duas paradas cardiorrespiratórias na última quinta-feira (21). Antes, Pedro estava no Instituo Nacional de Cardiologia, em Laranjeiras, onde foi submetido a um procedimento cirúrgico e liberado sem estar completamente recuperado.

A advogada Vanessa Palomanes culpa o descaso na saúde pública.

— Conseguimos uma determinação judicial para que o Pedro fosse para o Instituto Nacional de Cardiologia. Ele foi operado e o instituto levou ele de volta ao Hospital da Mulher sem ele ter se recuperado. Mas a decisão era que ele só poderia sair do instituto com alta médica direto para casa.

A advogada diz que a determinação judicial informa que, se o Hospital da Mulher não tivesse condições de atender a criança, a maternidade precisaria transferir o menino para uma unidade com estrutura. Caso não tivesse uma unidade especializada, o Estado deveria arcar com os custos do tratamento na rede privada de saúde.

Os pais disseram que os médicos informaram que a criança não podia ficar na unidade. Segundo a família, na sexta-feira (22), a secretaria informou ter conseguido uma vaga, mas a criança estava em estado gravíssimo para ser transferida. O pai da criança denuncia:

— Disseram que o Pedro era grande para estar na UTI neonatal, porém o Estado tirou o nome do meu filho da Central de Regulação de Vagas, alegando que o Pedro era pequeno demais para ficar em uma UTI pediátrica.

A Secretaria Estadual de Saúde informou, por meio de nota, que o hospital possuía todas as condições para atender a criança. Leia a seguir a íntegra da nota:

“A direção do Hospital da Mulher Heloneida Studart reitera que o paciente Pedro Carolino Matoso Reis vinha recebendo todo o atendimento e assistência necessários ao seu quadro clínico na unidade.

A UTI Neonatal da unidade dispõe de toda a estrutura adequada, incluindo equipamentos, materiais e insumos, além de profissionais capacitados para este tipo de atendimento. Cabe esclarecer que não é verdadeira a informação de que a UTI Neonatal só tenha capacidade para atendimento de crianças de até 28 dias. Faz parte da rotina das UTI Neonatais, de forma geral, a permanência de recém-nascidos por mais de dois meses, como foi o caso de Pedro, nascido com patologia complexa e grave, que permanecem internados até o final do tratamento. Desta forma, vale ainda esclarecer a definição do leito mais adequado para qualquer tratamento varia de acordo com o perfil de cada paciente, não sendo definida, necessariamente, somente por idade, tamanho ou peso.

Quanto atestado de óbito, a direção esclarece que a causa apontada foi o choque refratário (não resposta à medicação), em consequência de sepse e cardiopatia congênita complexa. Além disso, é preciso deixar claro que o paciente também estava em tratamento por conta de pneumonia.

Cabe ainda esclarecer que a sepse é um conjunto de sinais e sintomas, causados por infecção – como pneumonia – e que faz com que o organismo passe a responder com inflamação, na tentativa de combater a infecção. Tal reação do organismo pode comprometer o funcionamento dos órgãos. No caso do paciente Pedro Carolino, nascido com patologia cardíaca grave e complexa, e posteriormente, associada à pneumonia, a sepse colaborou para a disfunção múltipla dos órgãos. Diante da gravidade do quadro do paciente e da não resposta à medicação, ocorreu o óbito, tendo sido o atestado produzido com base nestas informações.

A direção afirma ainda que está disponibilizando atendimento psicológico para a família e que permanece à disposição para qualquer esclarecimento. A Secretaria de Estado de Saúde informa que a direção do HMHS afirmou que dispunha de todas as condições adequadas para o tratamento do paciente Pedro Carolino no quadro clínico que ele enfrentava nos últimos dias, não sendo possível a transferência do paciente devido à gravidade do quadro. A SES informa ainda que enviou um especialista em terapia intensiva pediátrica à unidade, que constatou a efetiva impossibilidade de transferência do paciente, por motivos clínicos, para qualquer outra unidade de saúde, mesmo que esta fosse a vontade da família.”

Fonte: R7

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