Qualidade na nutrição pode interferir na cicatrização de ferimentos

Nutricionista recomenda a ingestão de alimentos ricos em proteínas, carboidratos, minerais e vitaminas

Alimentos ricos em proteínas, carboidratos, minerais e vitaminas são fundamentais para a rápida recuperação do paciente. Thallysson Alves
Alimentos ricos em proteínas, carboidratos, minerais e vitaminas são fundamentais para a rápida recuperação do paciente. Thallysson Alves
O organismo saudável, bem nutrido e hidratado favorece uma cicatrização rápida. Segundo a nutricionista do Hospital Geral do Estado (HGE), Rachel Cavalcante, a desnutrição é um importante fator de risco para o desenvolvimento de feridas. “Por isso indicamos sempre aos portadores em processo de cicatrização que consumam alimentos ricos em proteínas, carboidratos, minerais e vitaminas”, destacou a profissional.

Rachel Cavalcante explica que uma pessoa desnutrida tem retardo no processo de cicatrização, além de predisposição às infecções, o que prejudica a recuperação do ferimento. “Isso repercute no tempo de internação, no custo do hospital com o paciente e, principalmente, na qualidade da recuperação do paciente, seja no hospital ou em casa”, argumentou ela.

Maxwel dos Santos Telécio, de 15 anos, está internado na ala neurológica do HGE, após ter sido vítima de uma colisão contra um ônibus quando pilotava uma motocicleta do tipo ‘cinquentinha’.

“A colisão foi tão forte que gerou um traumatismo crânio encefálico que o deixou 26 dias internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Quando foi transferido para a enfermaria, ele carregou consigo uma escara na região do quadril, resultante do longo tempo acamado”, explicou a mãe do menor, Simone Cristina dos Santos, de 42 anos.

A enfermeira Lilian Veiga explica que as escaras estão relacionadas à má circulação sanguínea na região onde a ferida se desenvolveu. Elas começam de dentro para fora. “Quando uma escara aparece na pele, significa que ela já estava sendo formada há algum tempo dentro do músculo do indivíduo. Elas tendem a aparecer mais no sacro, quadril, calcanhar, orelhas, ombros, joelhos e escápulas”, completou a enfermeira.

Para o tratamento das escaras, a Lilian Veiga recomenda a utilização de pomadas cicatrizantes, como o famoso AGE (Ácidos Graxos Essenciais), assim como evitar que o indivíduo fique deitado ou sentado sobre a ferida para facilitar a circulação sanguínea. “A movimentação, o psicológico e uma boa alimentação são determinantes no processo de cicatrização”, afirmou a enfermeira.

Para uma boa alimentação, a nutricionista Rachel Cavalcante recomenda o consumo de carnes, ovos, leite e derivados, fontes de proteínas importantes para a produção de tecido fibroso, formação de colágeno, remodelamento da ferida, manutenção da integridade no sistema imune. Enquanto os carboidratos, encontrados principalmente nos pães, cereais, arroz e massas, são um suprimento de energia e economia proteica.

“As gorduras consideradas boas podem ser achadas nos peixes e alimentos de origem vegetal, como a azeitona, o azeite de oliva e o abacate. Elas atuam na estrutura das paredes celulares e vitaminas lipossolúveis”, disse a nutricionista.

As frutas, legumes e verduras são importantes fontes de vitaminas e sais minerais para o organismo. A vitamina A tem atuação direta na epitelização (revestimento da pele), fechamento das feridas e ajuda no combate à inflamação. O complexo B ajuda na produção de gorduras, carboidratos e proteínas. E a vitamina C atua na formação de colágeno e fortalece o sistema imunológico do organismo.

“A vitamina D age no metabolismo do cálcio, a vitamina K melhora a coagulação do sangue e a vitamina E é antioxidante, ou seja, protege as células sadias contra a ação oxidante dos radicais livres”, continuou Rachel Cavalcante.

Já o cálcio, cobalto, fósforo, ferro, iodo, potássio, magnésio, manganês, silício, flúor, cobre, sódio e zinco são os sais minerais fundamentais para diversas funções do organismo, como a formação dos ossos, produção de sangue e armazenamento de oxigênio, por exemplo.

“Apesar de não existir uma contraindicação alimentar, exceto em caso de doenças como diabetes e hipertensão, é importante que o nutricionista possa indicar uma dieta balanceada e acessível ao doente. É mais estratégico e seguro e, em caso de necessidade, nós podemos incluir uma terapia nutricional para complementar a dieta e fortalecer a recuperação do paciente”, completou Rachel Cavalcante.

Thallysson Alves – Agência Alagoas


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