Promotoria de Justiça de União dos Palmares condena integrantes da família Dantas por duplo homicídio

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O júri durou mais de 13 horas e foi encerrado com a condenação das três pessoas que sentaram no banco dos réus. Augusto Dantas da Silva e as sobrinhas Luciana Dantas Mendonça e Ivonete Maria Lopes foram condenados, somando-se todas as penas, a 77 anos de prisão pelas mortes dos jovens João Francisco Simões de Azevedo e Fábio de Lima Silva. O duplo homicídio ocorreu por volta das 18h30 do dia 30 de julho de 2006, num bar localizado no bairro Roberto Correia de Araújo, na periferia do município de União dos Palmares.

O Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE/AL) esteve representado pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas, titular da 3ª Promotoria de Justiça de União dos Palmares. Segundo ele, os três réus foram os autores intelectuais do crime, que teria sido cometido por vingança. “Há uma briga antiga entre as famílias de uma das vítimas e dos mandantes. Do lado da vítima João Francisco, existe o cabo Sandro, que era conhecido por ser um dos ‘ninjas’, apelido dado a policiais que faziam parte de uma milícia que cometia homicídios. Havia informações, à época, que esse militar teria participado do assassinato de um homem chamado Ismael, neto do José Dantas, patriarca da família Dantas. Diante disso, o avô, enfurecido, orquestrou a morte de um dos parentes do cabo Sandro. O João foi o escolhido porque ele era muito querido pela família e tinha um futuro promissor. Tinha acabado de fechar um contrato com um clube de futebol em São Paulo e era um exemplo para os demais familiares”, explicou Antônio Vilas Boas.

O crime

Inconformados com a morte de Ismael, Augusto Dantas da Silva e as sobrinhas Luciana Dantas Mendonça e Ivonete Maria Lopes se juntaram e planejaram a morte de João Francisco Simões de Azevedo. Para cometer o homicídio, eles teriam contratado, pelo valor de R$ 8 mil, Cristiano Félix da Silva e Claudevan Cicero da Silva. “A vítima estava num bar da cidade, na companhia do Fábio de Lima Silva, quando os dois autores materiais chegaram e efetuaram vários disparos. E como se já não bastassem os tiros, os assassinos ainda desferiram golpes de faca e arrancaram os olhos do João. O crime foi bárbaro e por isso a acusação foi de duplo homicídio duplamente qualificado”, detalhou o promotor.

“O Fábio, na verdade, não tinha nada a ver com a história. Ele apenas teve o azar de estar na hora e no local errado no momento do fato”, acrescentou.

A condenação

Após 13 de julgamento, o Conselho de Sentença anunciou o veredicto: os três réus foram condenados. Augusto Dantas da Silva foi sentenciado a uma pena de 16 anos pela morte de Fábio de Lima Silva, entretanto, a punição foi reduzida para 13 anos em função do acusado ter mais de 70 anos. Já as sobrinhas Luciana Dantas Mendonça e Ivonete Maria Lopes foram condenadas, cada uma, a 32 anos de prisão pelas duas mortes.

O júri foi presidido pelo juiz da 3ª Vara de Justiça de União dos Palmares, Antônio Rafael Casado.

 JANAINA RIBEIRO – Ascom MP


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