Jovem diz que foi impedido de ver nascimento do filho

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Dizem que quando uma mulher engravida, o pai também vira gestante. O companheirismo fez parte do pré-natal de Rafaella Ribeiro, de 17 anos, mas o parto em si foi solitário. Seu marido, Victor Bezerra, de 22 anos, alega que foi impedido de entrar na sala de parto e na enfermaria por ser homem. O caso teria ocorrido no dia 21, no Hospital municipal da Mulher, no Zé Garoto, São Gonçalo.

— Participei de toda a gravidez. Acompanhar o parto era um sonho para mim e, mesmo amparado por uma lei (Lei 11.108), fui impedido. Sou pai da criança, marido da Rafaella, que queria minha presença — desabafa Victor.
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Ao jovem, profissionais da unidade teriam dito que conhecem a lei e concordam que ele tinha o direito de participar do parto, já que era indicado pela gestante.

— Apesar disso, a única explicação que ouvi da equipe do hospital foi que eu não poderia acompanhar porque o acesso é vedado a homens, e que essa é uma norma da unidade. Eles acham natural um hospital ter uma norma que fere uma lei.

A lei em questão foi sancionada há mais de uma década, em 2005, e diz que a mulher que vai dar à luz pode escolher um acompanhante, que não necessita ter laço familiar, para acompanhá-la durante o trabalho de parto, parto e pós-part

O direito a um acompanhante está até registrado na página 5 da carteira de vacinação que foi entregue pela própria maternidade à mãe do pequeno Isaac.

— Eu até pensei em ir à Justiça, mas quero mesmo é curtir meu filho e minha esposa, e lutar para que outros não passem por isso — diz Victor.

Barrados por serem homens

Além de melhorar a experiência do parto, permitindo que alguém conhecido acompanhe, a lei é importante nos momentos e dias seguintes.

— Ela ficou sozinha logo depois do parto. A norma do hospital também a fez ficar sem acompanhante no domingo, porque a mãe e a irmã dela não puderam ficar. Eu e meu sogro fomos impedidos porque somos homens — denuncia Victor.

De acordo com Rafaella, aconteceram outros problemas no atendimento.

— Eu tive parto normal no sábado e só tive alta na terça-feira. Isso porque perderam o exame de sangue do meu filho. Tiveram que refazer, furar a mão dele novamente. O teste do pezinho não tinha — diz.

A enfermaria onde Rafaella ficou é coletiva. A Prefeitura de São Gonçalo, responsável pelo Hospital da Mulher, não comentou as denúncias nem a proibição da presença do pai da criança no parto até o momento.
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